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PREÇO DO LEITE: QUE FAZER?
O preço do leite continua baixo. Os aumentos prometidos pela indústria a nível europeu não passam para cá dos Pirenéus. Espanha (sobretudo Galiza) e Portugal ficaram ao lado dos aumentos registados na França e Holanda. Fala-se agora de hipotéticos aumentos no Outono ou Inverno, mas sem compromisso. Estamos como o burro com a cenoura pendurada à frente que avança sem nunca a conseguir alcançar. Na semana que passou, os colegas da Galiza fizeram um ultimato à Indústria, ameaçando com mobilizações em Agosto se o leite entregue em Julho não for pago a preço superior; Na França, pequenas escaramuças (reboques de estrume à porta de fábricas, apelo ao boicote das marcas que recusam aumentar 3 cêntimos aos produtores) são resultado das negociações falhadas entre indústria e produção. E nós, que podemos fazer?
Trabalhar por um preço justo para o leite tem sido a nossa prioridade na APROLEP desde Março e foi também o centro das movimentações que realizámos em 2009. Para esse objectivo definimos três vias: 1) alertar a sociedade e os governantes para as dificuldades dos produtores de leite; 2) defender as quotas leiteiras para evitar o excesso de produção; 3) apelar ao consumo de leite nacional.
1) ALERTAR A SOCIEDADE
O alerta para o agravamento da crise no leite foi dado no colóquio da AJADP em Janeiro e teve seguimento nos diversos comunicados da APROLEP e nos contactos com os governantes, nomeadamente com o Ministro da Agricultura, com a Comissão parlamentar de Agricultura e mais recentemente na visita de Paulo Portas a Vila do Conde. Com números reais da contabilidade das explorações leiteiras mostrámos que o preço actual paga mal os factores de produção e não chega para o trabalho nem para amortizar os investimentos.
2) DEFENDER AS QUOTAS
Muitos consideram as quotas um assunto arrumado, com fim decidido para 2015. Em Maio, discursando no seminário do Comité Nacional do Leite, o Ministro da Agricultura deixou passar essa ideia. Contudo, há dias, no último conselho europeu, defendeu que o fim das quotas deve ser adiado. É uma evolução positiva que registamos. Mais difícil será mudar a posição da comissão europeia. Em resposta às “sete razões para manter as quotas leiteiras” que a APROLEP entregou em Junho ao Comissário Europeu, o Director Geral da Agricultura, Jean-Luc Dematry, numa carta cordial que nos dirigiu também com sete pontos, reafirmou que o fim das quotas está decidido, insistiu que não foi o aumento da quota a provocar a queda dos preços e que o mercado recuperou com a intervenção da comissão mas, contudo, prometeu legislação comunitária ainda este ano para reforçar a posição negocial dos produtores de leite, o “elo mais fraco”da cadeia. Tenhamos presente, no entanto, que as quotas existirão pelo menos até 2015 e que em 2012, na reforma da PAC, o assunto pode ser discutido e as quotas prolongadas. Para todos os efeitos, na Holanda, um dos países que mais defende o fim das quotas, os produtores continuam a comprar quota, a 80 cent/ litro.
3) PROMOVER O LEITE NACIONAL
Defender o leite nacional foi resposta lógica às sucessivas queixas da indústria sobre a importação de leite a preço de saldo para as marcas brancas da distribuição. Defender o leite nacional faz sentido porque Portugal é auto-suficiente no sector, isto é, produzimos o suficiente para as necessidades de consumo no país. Também parece fazer sentido para os hipermercados, que reagiram: uns tentaram disfarçar o código de produto espanhol com embalagens de papel, opacas, a embalar os 6 pacotes; outros anunciaram acordos simbólicos com indústria portuguesa para o fornecimento da sua marca, apesar de continuarem a importar; outros ainda, anunciam que o seu leite é 100% nacional, mas preferem abastecer-se nos Açores, onde o preço ao produtor é mais baixo e também são menores os custos de produção.
Revoltados com os preços baixos, muitos produtores preferiam atacar directamente a indústria; Alguns sugeriram bloqueios às fábricas, como é costume na França. Em vez disso, aproveitámos o tempo de antena na comunicação social para apelar ao consumo de leite português, o que certamente ajudou a indústria e reforçou a sua posição nas negociações com as grandes superfícies, esperando que essa mais-valia passasse para o produtor. Há que reconhecer que em 2009 o preço ao produtor baixou menos em Portugal que no Norte da Europa, mas agora a situação inverteu-se e já fomos ultrapassados. Por outro lado, tenhamos presente que a principal indústria de lacticínios tem base cooperativa, portanto é “nossa”, apesar de muitas vezes parecer distante. Se é nossa, penso que devemos resolver os problemas internamente, participando nas assembleias, dialogando, discutindo, perguntando, pressionando, apresentando alternativas. Será suficiente? A resposta virá a tempo de salvar o sector? Que mais podemos fazer?
Carlos Neves
VAI ACONTECER:
AGRIVAL – PENAFIEL – 21 A 29 DE AGOSTO
PORTUGAL RURAL – FEIRA DE ACTIVIDADES AGRÍCOLAS DE VILA DO CONDE – 9 A 12 DE SETEMBRO
AGROGLOBAL - Feira do Milho e das Grandes Culturas - 8 e 9 de Setembro, Valada do Ribatejo, Cartaxo
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